Meu amigo Pedro

Comemorado ontem, o Dia do Trabalhador me lembrou de que faz sete anos que cheguei ao Vale do Paraíba, atraído por uma proposta de emprego. Sem tempo, aluguei pela internet uma “kitnet mobiliada”. Quebrei a cara: a geladeira foi entregue sem prateleiras e gavetas, o fogão não tinha botijão de gás e a TV, que até ligava direitinho, estava sem antena.

Sem opção, achei melhor procurar um novo lar. Assim, nas andanças pelo bairro, conheci o Pedro, um vira-latas que chorava baixinho, do lado de dentro do portão, tentando alcançar um osso que, sabe-se lá como, ele jogou para fora de casa. Resgatei e fui logo devolvendo. Ele jogou para o outro lado e passou a brincar comigo desesperadamente. Vai ver sabia que, nesses primeiros dias por aqui, eu também estava roendo o osso.

E assim ficamos amigos.

Todos os dias, antes do trabalho, fazia meu caminho de forma a passar pela casa do Pedro. E, pode parecer esquisito, ele ficava me esperando. Juro, juradinho! Era divertido.

No fim, acabei encontrando um novo imóvel, com botijão de gás e tudo, mas longe do Pedro. Mudei de casa, de bairro, mas não mudei de amigo. Assim que caiu meu primeiro salário, passei no mercado e enchi o carrinho de ossos, brinquedos e fizemos a maior festa no portão. E fui embora sorrindo, imaginando a cara dos reais donos do Pedro quando encontrassem o quintal forrado de quinquilharias caninas.

Mas, antes de ir, me lembro. Virei para trás e disse: “Valeu, Pedro! Sempre que der, passo por aqui! Até lá, por favor, não jogue os brinquedos que te dei pela fresta do portão!”

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